domingo, 20 de março de 2011

ESPERO-TE




Espero-te linda aurora
Na praia da formosura
Navegando borda fora
Num veleiro de ternura

Espero-te no meu convés
Vestida de branco linho
P'ra navegar lés a lés
Nas ondas do teu corpinho

Espero-te na praia nua
Enleada na areia
Vestida da luz da lua
P'ra ser a tua sereia

Espero-te na nostalgia
Que me espreita sem jeito
Deixando a agonia
A bailar dentro do peito

E até nas asas do vento
Eu te espero meu amor
Acaba-me com o tormento
Desta espera por favor

Espero-te na enseada
Dos sonhos e dos desejos
Pois a saudade, a danada
Só quer ser alimentada
Pelo sabor dos teus beijos.

terça-feira, 8 de março de 2011

DESFOLHEI MEU CORAÇÃO




Desfolhei meu coração
Das pétalas da amargura
E vesti toda a ilusão
Com flores da tua ternura

Semeei carinhos belos
E laços de linda paixão
Cravos de amor singelos
Como o teu coração

Orquidias com tal doçura
Que quando as fui apanhar
Tinham o mel da ternura
Que eu vi no teu olhar

Rosas azuis de desejos
E até de rubra cor
Que têm a cor dos beijos
Quando me beijas amor

Cravinas semeei aos molhos
Lírios, malmequeres, jasmim
Marotos como os teus olhos
Quando tu olhas p'ra mim

E neste jardim cuidado
Eu coloquei um portão
De doçura engalanado
Que vai dum ao outro lado
Do teu ao meu coração.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

MORRE EM MIM




Morre em mim a nostalgia
A saudade e a amargura
A tristeza e a alegria
O dia e a noite escura

Morre também o sentir
Em passos de solidão
Os sonhos por descobrir
Perecem em meu coração

As palavras que não digo
Na garganta vão morrendo
E o que sonho contigo
Na alma se desfazendo

Morre também a verdade
O meu sol a minha luz
Desejo de liberdade
E o pouco que me seduz

Morre em mim o ardor
Eu sei que na verdade
Eu vou morrer de amor
De tristeza e de saudade.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CANSEI!...




Cansei, porque a ternura
Que sempre esteve escondida
Deu a volta à fechadura
E descobriu a saída

Cansei, porque a amargura
Que sempre me atormentou
Foi-se embora noite escura
Porque de mim se cansou

Cansei, porque a saudade
Me fez chorar, nunca rir
Deu lágrimas à caridade
E secou o meu sentir

Cansei, porque o amor
Sempre gelado, vazio
Hoje sopra o seu calor
A arder em desvario

Cansei! Que hei-de fazer
Eu vou ter que decidir
Se dou asas ao dever
Ao coração, ao sentir

Vou dar asas ao sentir
Ao dever a condição
De a mim nunca traír
E de jamais ir saír
Sem ordem do coração.