Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

SÃO PALAVRAS


São palavras de ternura
Que já não ousas dizer
Que transportavam doçura
Loucura e até prazer

É o ciúme é a dor
Que o teu silêncio me deu
Se acaso tens outro amor
Com mais ardor do que eu

É a minha louca vontade
De te ver de te abraçar
E a raiva desta verdade
De tanto te querer amar

São os sonhos e os desejos
Que tu despertaste em mim
Com a doçura dos beijos
Que guardo no meu jardim

É esta angústia que teço
Me acorda de madrugada
Com certeza que mereço
E sou talvez a culpada

São madrigais do sentir
Que não param de tecer
Amarguras a florir
Só p'ra me fazer sofrer. 


Terça-feira, 2 de Abril de 2013

JÁ NÃO SOU EU


























Já não sou eu a criança
Que um dia andou à procura
De um fio de esperança
E de um pingo de ternura

Já não sou eu que tão nua
De afectos e de alegria
Com medo da luz da lua
Da sombra que me seguia

Já não sou eu a chorar
Triste na noite escondida
Com saudades de abraçar
A avó da minha vida

Já não sou a adolescente
Que o amor de mãe procura
Que um dia ficou diferente
De saudade e de amargura

Já não sou eu já é ela
A vida  me encurralou 
Que me pregou a janela 
E a porta me fechou

Talvez seja eu agora
Que já não consigo ver
A luz que tem a aurora
E que me obriga a viver.


Terça-feira, 19 de Março de 2013

FECHADA


Fechada dentro de mim
E p'la vida enclausurada
Deixei morrer meu jardim
E de flor já não sou nada

Fechada da luz do dia
Já nem a olho de frente
E vivo nesta agonia
No futuro e no presente

Fechada está a amargura
Que não consegue sair
E ás vezes noite escura
Bate à porta do sentir

Fechados os sonhos meus
Nunca a porta lhes abri
P'ra não saberem dos teus
E, nem me falarem de ti

Fechados os meus desejos
À saída lhes pus fim
Pois ao sentirem teus beijos
Quiseram fugir de mim

Fechada morro lentamente
Entre estas paredes sem cor
Sem viver o meu presente
E sem ter o teu amor

E nesta porta fechada
Em que a vida me fechou
Dela já não tenho nada
E de mim já nada sou.


Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2013

ESTA NOITE
























 Esta noite sou luar
E até estrela cadente
Que se aninha a brilhar
No teu peito docemente

Esta noite sou a flor
Que se recusou a abrir
E só floriu ao calor
Do jardim do teu sentir

Esta noite sou poema
Bordado a fio de dor
Que não quer o seu dilema
E só quer o teu amor

Talvez esta noite eu seja
O que nunca fui outrora
No teu sentir que me beija
Na luz dessa tua aurora

Esta noite vou voar
Em asas de liberdade
Para os desejos matar
Para matar a saudade

Esta noite a amargura
Vou afogar em ardor
Em bandeja de doçura
No mar da minha loucura
Só para ti meu amor.

Sábado, 2 de Fevereiro de 2013

FIZ


































Fiz das tripas, coração
Como a Luz me sugeriu
Para elevar a emoção
Na proa do meu navio

Fiz do meu sentir diferente
Daquilo que hoje eu sou
P'ra ver se ainda sou gente
Ou se acaso já não estou

Fiz da minha nostalgia
Um vestido p'rá ternura
Mas esqueci qu' amargura
De mim também se vestia

Fiz sonhos que tão dourados
Brilhavam no firmamento
Mas esqueci-me do vento
Por ele eram fustigados

Fiz do Sol o meu encanto
Do mar a minha paixão
E da saudade um manto
De dor e desilusão

Fiz do acaso dum dia
Quando os teus olhos vi
Um vestido de ousadia
Que mal acaba o dia
Eu visto só para ti.