segunda-feira, 27 de julho de 2020

Há um mar





   Há um mar de nostalgia
Na praia do meu sentir
Com ondas de agonia
Que não me deixam fugir

Há palavras magoadas
Gritos de reprovação
Com sonoras gargalhadas
De desdém de humilhação

Gentilezas e ternura
Só para aos outros mostrar
Uma dose de doçura
Que nunca teve p'ra dar

Máscaras de compreensão
Transpirando hipocrisia
Pintadas de compaixão
Em tela negra sombria

Atestados de estupidez
Passados a toda hora
Loucuras de quando em vez
Onde o bom senso não mora

Há um mar onde a saudade
Escava dentro de mim
Para enterrar a verdade
Um clima de falsidade
Numa mentira sem fim




quinta-feira, 23 de maio de 2019

Corre



Corre o rio para o mar
E o sonho p'rá ilusão
Corre a vida sem parar
E sem nos dar atenção

Corre a dor e a nostalgia
Onde outrora foi ternura
Corre a saudade sombria
Em lágrimas de amargura

Corre o tempo que a voar
De nós está sempre a fugir
Em cicatrizes de um mar
Que nos esmaga o sentir

Corre o destino cruel
Sempre em contradição
Deixando na boca o fel
E amargo no coração

Corre até o pensamento
Bem mais depressa que a luz
P'ra nos dar cada tormento
Pregado a uma cruz

Corre o amor e a ternura
Em rios de ingratidão
E junto com a desventura
Corre também a loucura
Em vagas de solidão
 

 

terça-feira, 10 de abril de 2018

PORQUE É?


Porque é que sonhos fenecem
Na alma do sonhador
E as pessoas se esquecem
De viver, de dar amor

E porque há almas tão nuas
E a coisas tão agarradas
Parecem pedras das ruas
Tão velhas e desgastadas

Porque é, que há gente medonha
E que a seu belo prazer
Não vive nem sequer sonha
E, não deixa ninguém viver

Porque é que à noite a saudade
Veste a alma à nostalgia
E o dia é claridade
E escurece a alegria

Porque é que este meu sentir
Cada vez que vou escrever
Me rasga a alma a pedir
P'ra eu deixar de sofrer

Porque é que a pureza tem
Tanta luz e claridade
Que quando a maldade vem
Não cega os olhos de quem
 Não respeita a humanidade 


quinta-feira, 29 de março de 2018

PINTEI


Fechei portas e janelas
Algumas a cadeado
E pintei com aguarelas
As telas do meu passado

Pintei sonhos e a ilusão
Com uma cor indefinida
Porque o meu coração
Não dá cor à minha vida

Pintei paredes sem cores
Com sonoras gargalhadas
Dos risos dos meus amores
De traquinices raiadas

Pintei num monte um farol
Para em Abril iluminar
Mais um raiozinho de sol
Que a vida me vai dar

Lá longe no horizonte
Pintei bica colorida
Para ir beber à fonte
Da esperança já perdida

Pintei a estrela cadente
Com o brilho do teu olhar
P'ra ficar eternamente
Com minha alma a brilhar

Só não pintei teu sorriso
Que ilumina o meu ser
E dessa luz eu preciso
P'ra continuar a viver.