domingo, 8 de fevereiro de 2015

ABRO OS BRAÇOS

P'ra que quero um coração
Se dentro deste meu ser
Eu tenho a condenação
De sem ti ter que viver

P'ra que quero a alegria
Se não vejo o teu olhar
E fico nesta agonia
De não te poder amar

P'ra que quero a esperança
Se dentro do peito meu
Chora sempre a lembrança
Do sabor dum beijo teu

P'ra que quero eu escrever
Pois não sei se a seguir
Acaso me virás ler
Ou se rasgas meu sentir

P'ra que quero a solidão
Se no meio deste frio
Deixei secar o meu rio
Mas os sonhos esses não

Abro os braços à ternura
Porque a saudade só quer
Vestir a tua loucura
No meu corpo de mulher.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

BATE LEVE, LEVEMENTE





































Bate leve, levemente
Na minha alma o sentir
Se bate tão docemente
Decerto que vai abrir

Bateu e até murmurou
Palavras que sem saber
Que a porta se fechou
Porque não as queria ler

Com a dor acaricia
A boca seca da vida
Mas a porta se desvia
Da rua anda perdida

Corre, grita pela rua
Bate com intensidade
Mas, a minha alma nua
Se vestiu com a saudade

Decide então jogar
A última dor que perdura
P'ra conseguir afogar
Neste mar de  amargura

Bate leve, mas que importa
E continua a bater
A minha alma está morta
E, já não há outra porta
Onde me possa esconder.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ZANGUEI-ME


































Zanguei-me com a luz do dia
Com as estrelas o luar
Se eu estou tão sombria
Porque têm que brilhar

Zanguei-me com a saudade
Porque marcou meus caminhos
Não com rosas mas espinhos
Me roubou a mocidade

Zanguei-me com um Jesus
Por tanto lhe perguntar
Porque me deu esta cruz
E um coração para amar

Zanguei-me até com o mar
Pois me sinto tão perdida
Neste mar da minha vida
Não me consigo encontrar

Zanguei-me com a caneta
E, só vou voltar a escrever
Quando tu fores um cometa
No meu universo a arder.

terça-feira, 13 de maio de 2014

VOU DAR-TE A LIBERDADE

























Não te dou a liberdade
Porque me estás a prender
Com algemas de saudade
E me deixas a sofrer

Não te a dou porque agora
Já não consigo arrancar
Do meu peito esta demora
De te ver e de te amar

Liberdade não vais ter
Talvez se um dia então
Contigo eu vá viver
Dentro da minha prisão

És um anjo que ao voar
Com asas de tanta doçura
Consegues em mim limar
O sentido d'amargura

És alma repleta d'amor
Aberta de par em par
Que me acalenta a dor
E até me faz sonhar

Vou dar-te a liberdade
Para podermos abrir
O cofre da minha saudade
Com a chave do teu sentir.


terça-feira, 29 de abril de 2014

LÁ LONGE...





























Lá longe, onde o sol tem mais luz
a minha alma vagueia, perdida da minha cruz.

Lá longe, onde a brisa beija o mar
voa a minha ternura prontinha p'ra te abraçar.

Lá longe, no horizonte a florir
estendi o meu olhar e beijei o teu sentir.

Lá longe, onde começa o fim
Vou deixar este meu eu, para não voltar p'ra mim. 

Lá longe, onde o céu está a arder
Vou semear este amor para tu poderes colher.

Lá longe, onde a distância termina
Tão perto o teu amor, tão longe a minha sina.