quarta-feira, 9 de Abril de 2014

NÃO PENSEI














Não pensei que eu um dia
Iria andar na vida
Coberta de nostalgia
E sem ter sonhos, perdida

Não pensei que a saudade
Em mim viesse ancorar
E que as dores da mocidade
Fizessem de mim seu mar

Não pensei ser sepultura
De tanta mágoa e dor
Pois eu só queria ternura
Carinho e muito amor

Ser estrada sem caminho
Eu juro que nunca pensei
Queria ser rosa sem espinho
E até nisso eu errei

Não pensei dar de comer
À fúria que existe em mim
E que ainda ia colher
Tanta dor no meu jardim

Não pensei que eras ladrão
E que me fosses roubar
A alma e o coração
P'ra loucamente te amar.


domingo, 23 de Março de 2014

VERDE MANTO






































Verde manto fui vestir
Para ver se aquela cor
Combina com o meu sentir
Combina com o teu ardor

Pintei os olhos, carmim
Os lábios de rubra cor
E percorri teu jardim
Na promessa d'uma flor

E as borboletas que vi
Não eram da cor do manto
E juro que até senti
A alma ficar em pranto

Mas o verde é esperança
E passei a olhar então
Com olhos que em criança
Vestia a doce ilusão

De manto verde vestido
À praia te vou esperar
Quero-te louco, querido
E que te sintas perdido
Nas ondas deste meu mar

  

segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

PRIMAVERA
























Procurei a Primavera
Todos os dias do mês
Porque estou à tua espera
P'ra te abraçar outra vez

Procurei no meu jardim
Numa  flor a despontar
Mas sei que é dentro de mim
Que tenho que procurar

No sol, na lua, no mar
Também andei à procura
Só vi a brisa a passar
E nem sinal de ternura

Fui procurar num poema
Adornado a malmequeres
Foi maior o meu dilema
Pois sei qu'ainda me queres

Fechei meus olhos e vi
O tempo inteiro a correr
Só me falava de ti
Do teu sentir do teu ser

E agora que vai chegar
A Primavera a valer
Sei que a vou encontrar
Num jardim qualquer lugar
Mas é a ti que quero ver.

segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

BEBI

Bebi o chá d'amargura
Da dor da desilusão
E sofri de indigestão
Com o da falsa ternura

Bebi da água do mar
Com rosas do meu jardim
Num agridoce sem par
Com espinhos sem ter fim

Bebi castelos dourados 
Estrelas do firmamento
E adormeci ao relento
Em sonhos desgovernados

Bebi sonhos, ilusões
Para conseguir sonhar
Mas andei aos trambolhões
E neles não pude entrar

Bebi o sal dos meus olhos
Por tanto eu te querer
E a agonia aos molhos
Por a ti mãe não te ver

Bebi a tua doçura
Mas agora já não sei
Se acaso me envenenei
De amor e de ternura.

sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

FOI-SE O SOL...


























Foi-se o sol deitar mais cedo
Para eu poder brilhar
E amar-te em segredo
Nesta noite de luar

Foi-se toda a amargura
P'ra longe o vento a levou
Para soltar a ternura
Que fechada a vida passou

Foi levada a nostalgia
P'las estrelas a brilhar
Deixaram-me a ousadia
Com laço para te ofertar

Ao de leve veio a brisa
Pés de lã devagarinho
P'ra me deixar sem camisa
Deslizar no meu corpinho

Rebelde então veio o mar
Para o meu corpo cobrir
D'espuma do seu ondular
E salgar o meu sentir

Foi-se o sol e foi a lua
Já nos podemos amar
Tu és meu e eu sou tua
Como a noite é do luar.