quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ÁS VEZES


Ás vezes sou a saudade
Que a amargura cantou
Outras sou a mocidade
Que na alma me marcou

Ás vezes sou um poema
Bordado a nostalgia
Outras eu sou o dilema
Da noite que se faz dia

Ás vezes sou vento norte
No silêncio em tarde fria
Outras então sou a sorte
Que deixa minh' alma vazia

As vezes eu sou o luar
Que beija os lábios teus
E que te deixa ao beijar
O gosto dos lábios meus

Ás vezes sou a ternura
Semeada em teu jardim
E outras sou a loucura
Que não sabia em mim

Ás vezes sou borboleta
Que voa à tua procura
E transforma o teu planeta
Em desejos e loucura

Mas hoje não quero ser
Nem amargura nem dor
Com ternura e com prazer
Serei linhas do escrever
Do teu poema de amor.


sábado, 1 de outubro de 2011

TENHO



Tenho uma vida sem vida
Nas mágoas do meu andar
Pois se nela estou perdida
Não sei como me encontrar

Piso as pedras calada
Na busca de direcção
Sinto que não tenho nada
Mas tenho tudo na mão

Tenho um diabo uma cruz
Dentro de mim o inverno
Um Judas feito Jesus
E um céu que é um inferno

Tenho amarga sinfonia
Que nunca ninguém escreveu
Que me toca todo o dia
Mágoas que a vida me deu

Tenho a mim amarrada
A amargura que sou
Quem diz que não tenho nada
Decerto se enganou

E tenho dentro de mim
Guardado p'ra ninguém ver
Amor que não tem mais fim
E, que comigo vai morrer.


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

PENSEI



Pensei dizer-te um dia
Com a alma a soluçar
Que eras o que mais queria
Mas a voz se quis calar

Pensei eu a dada altura
Fazer poema de amor
Mas esqueci a ternura
Saiu poema de dor

Pensei que era saudade
Mas afinal descobri
Que sou a grande verdade
Dum amor que nunca vi

Pensei amar-te e calava
Na escuridão dos meus dias
Que eu sempre te esperava
E tu nunca aparecias

Pensei que se não te amasse
Meu coração não sofria
Mas onde quer que eu andasse
Na alma eu te sentia

Pensei calar a razão
E o sentir amordaçar
Mas este meu coração
Não se deixou enganar

Se acaso me vieres ler
Nunca digas a ninguém 
Que o que pensei escrever
É para ti minha mãe.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MAR SALGADO



Mar salgado ondulante
Que navegas meu sentir
Num sal d'aroma distante
Que fez a saudade emergir

Que fez sentir-me sereia
De um marinheiro atrevido
Que em noite de lua cheia
Ficou no meu mar perdido

Que passa os dias a beijar
A lua a sua menina
Navegam os dois em surdina
Não vá o dia acordar

Mar imenso assustador
A mim não me metes medo
Porque secas meu degredo
A saudade e a minha dor

Ó meu mar faz-me a vontade
Vê se podes afogar
O tempo e esta saudade
Que me está a matar

Mar salgado timoneiro
Dos meus sonhos meu sentir
Deixa de ser traiçoeiro
Entrega-me o meu marinheiro
Que eu adoço-te a seguir.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

DESISTO





Desisto de entender
Porque entre tantos mortais
Só me fizeram sofrer
E me calaram os ais

Desisto porque os olhos meus
Não mais lavam as lembranças
E de perguntar a um Deus
Porque sofrem as crianças

Desisto porque eu agora
Sem primavera da vida
Não consigo ver na aurora
A esperança prometida

De saber e de falar
Há muito eu desisti
Saudades do verbo amar
Que só me lembram de ti

Desisto sim meu amor
Porque eu sei que à partida
Sou labirinto de dor
Com entrada e sem saída

Desisto até de te amar
Porque o meu coração
Está pronto a amarrar
O amor à solidão.