segunda-feira, 1 de agosto de 2011

PERSIGO



Persigo o meu sol ausente
Na esperança de encontrar
A luz que eu olhe de frente
Sem que me fira o olhar

Persigo com ousadia
Aquilo que nunca pensei
Que eu perseguisse um dia
Pois nunca o procurei

Persigo a velha saudade
À distancia p'ra não ver
As mágoas da mocidade
Que me fizeram sofrer

Persigo a dor meu espinho
Para me certificar
Que encontrou um caminho
E que não vai mais voltar

Persigo o sonho a loucura
A saudade num adeus
E corro atrás da ternura
Que me diz os lábios teus

Persigo o que me conduz
Aos teus braços com ardor
A alma que me seduz
Que me mostrou essa luz
Nos teus olhos meu amor.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vem


Ó meu lindo marinheiro
Das vagas do meu sentir
Vem navegar meu veleiro
Minhas ondas descobrir

Vem ao sabor das marés
Desta minha embarcação
Amar-me de lés a lés
De alma e de coração

Vem dizer-me ao ouvido
Teu sentir tua loucura
Quero sentir-te perdido
No meu mar de diabrura

Anda vem, vem-me afogar
Antes do anoitecer
Nas ondas desse teu mar
De amor e de prazer

Vem também saborear
Nas ondas do meu corpinho
O sal deste meu mar
Tão revolto em desalinho

Anda vem ver o farol
Que ajudaste a descobrir
Se tu fores o meu sol
Eu forro com o meu lençol
As velas do teu sentir.

terça-feira, 5 de julho de 2011

PINTURA ABSTRATA


Pintura: Emoções- Margusta

Uma tela colori
 Fechei-a na minha mão
E ainda não descobri
Qual o tema e a razão

É uma pintura qualquer
Vestida de muita cor
Não é homem nem mulher
E nem tristeza nem dor

Talvez seja a maresia
O amanhecer ou a luz
Ou o sal que o mar produz
Ou até a nostalgia

Será talvez a saudade
Que a minha alma contém
Ou talvez a liberdade
Destes sonhos de ninguém

Será que eu pintei agora
A alegria e a esperança
Que me faltaram outrora
Nos meus sonhos de criança

Abri a mão e então vi
Que esta tela abstrata
É o sentir que há em ti
Na minha pintura nata.

domingo, 12 de junho de 2011

PRECISO



Preciso de um atalho p'ra percorrer
E de um caminho para te encontrar
Das tuas lindas palavras p'ra viver
E dos meus sonhos para navegar

Preciso de me deitar no meu leito
Despida de saudade e desamor
Preciso de enterrar a minha dor
Que cava a sepultura no meu peito

Preciso de sentir teu coração
Tão louco quando sente o meu pulsar
Preciso desse amor dessa paixão
Que me deixa em ânsias p'ra te amar

Preciso de calar o meu sentir
Que preso na garganta quer gritar
Por saber que meu jardim não vai abrir
As rosas que em botão eu fui podar

Preciso do teu sol do teu calor
E do sabor a mel desses teus beijos
Das tuas loucuras teus desejos
Eu preciso de ti meu doce amor.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

SAUDADE




Desliza suavemente
Pelas maçãs do meu rosto
Uma gota fina e quente
Com ternura e sem desgosto

Desliza leve indolente
Com certeza p'ra regar
O chão que tem a semente
Que a vai fazer germinar

Passa vales sobe montes
Sem medo de se perder
Escala os horizontes
À procura de te ver

Caminha agora sombria
Cansada de procurar
Fica gota grossa, fria
Na secura do andar

Adormeceu ao relento
Na areia junto ao mar
Até que chegou o vento
E a fez assim acordar

E a saudade em gota a rolar
No meu rosto com ardor
Leva os dias a chorar
Tem saudades de te amar
E, de te abraçar meu amor.