terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DESPI-ME


Fotografia: Martin Zurmuehle

Despi-me de nostalgia
Só para te receber
Adornei-me de alegria
P'rá tua alma reler

Deitei-me no teu sorriso
Naveguei no teu olhar
E descobri que preciso
Amar-te para sonhar

Na alma pintei então
A doçura dos teus beijos
E junto ao teu coração
Eu pincelei meus desejos

A ponto pé-de-flor
Teu nome no meu enleei
E com as linhas do amor
Os nossos sentires bordei

E no mar da amargura
Onde estava a morar
Abracei tua ternura
E nela ousei voar

Despi-me e então usei
O vestido da verdade
Por ruas e becos andei
E como não te encontrei
Então morri de saudade.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ÉS A MINHA GOTA D'ÁGUA


No mar da minha ilusão
Vou emergindo sem ver
Se o meu pobre coração
Deixou ou não de sofrer

E assim em cada braçada
Fico parada, dolente
Pois sei que esta estrada
Me vai matar lentamente

E ao olhar o horizonte
Descubro algo a brilhar
Será um rio, uma fonte
Que me está a chamar

E a cada passo que dou
Dispara o meu sentir
Desconheço onde estou
E onde me vou dirigir

Fechei os olhos e abri
Sem querer acreditar
Que eras o rio que aqui
P'ra mim estava a brilhar

És a minha gota d'água
Que deslizou no meu ser
Enterrou a minha mágoa
E me ensinou a viver.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VAGUEIO NA ESCURIDÃO



Vagueio na escuridão
Na tortura do sentir
E perco a minha razão
Ao querer sonhos abrir

Dou asas ao pensamento
E corto-as à minha dor
Mato à fome o tormento
P'rá alimentar o amor

Adorno de luz e cor
Os meandros d'agonia
Salpico a alma e a dor
Com orvalho e luz do dia

Mas como está a sofrer
Não me quis mais escutar
Saíu à porta a correr
P'rá rua foi vadiar

Adormeceu ao relento
A minha alma pateta
Foi levada pelo vento
P'rá alma de um poeta

Recusa-se a acordar
Continua a dormir
E diz que só vai voltar
Quando o poeta cortar
As amarras do sentir.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A JANELA DA SAUDADE



Deixei à porta a saudade
À janela a minha dor
E voltei à mocidade
À procura do amor

Corri ruas, estradinhas
Onde outora vivi
Desfizeram-se as casinhas
A rua não conheci

Fui à procura dos sonhos
Que tinha na mocidade
Vi pesadelos medonhos
E só résteas de saudade

E a fonte que outrora
A minha sede matou
Nem a água já lá mora
Pois de cansada secou

Acordei com a lua bela
A afastar minha dor
Pôs a saudade à janela
Armada em cinderela
P'ra te beijar meu amor.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

É NOITE



É noite na minha alma e o meu sentir desperto
vagueia na procura de uma qualquer claridade.
Dispo-me da amargura contida e banho-me na doçura
de uma brisa que teima beijar-me a tez.

Amanhece em mim.
O Sol brilha, deixando transparecer a luz
que entra, formando brechas na parede da escuridão.

Não dei conta dos passos leves no sentir
que a brisa em mim desvanece.
Volto a ficar despida e, no silêncio de uma saudade,
abraço as tuas palavras, que escorrem em mim
como sorrisos doces.

É noite. Embora a escuridão persista,
a minha alma clareia na luz da tua doçura.
Suave vendaval de emoções, onde me deito,
para adormecer em mim o teu e o meu sentir.