quarta-feira, 26 de setembro de 2012

NÃO HÁ...

























Não há ruas nem vielas
Que não viessem espreitar
Tantos senhores ás janelas
Do poder, a engordar

Não há sonhos ilusões
Nem bocas para lamentos
Mas há quem ás prestações
Vá comprar medicamentos

Não há pão p'ra toda a gente
Nem dinheiro p'ró ordenado
Mas há chão que deu semente
Sem sequer ser semeado

Não há estrelas cadentes
Porque elas foram roubadas
P'rós bolsos de tantas gentes
Em fortunas transformadas

Não há trabalho p'ra dar
Nem verbas para dividir
Mas há armas p'ra matar
E bombas para destruir

Não há sol para aquecer
Tanta barriga a esfriar
Que precisa de comer
E tem contas por pagar

Cortaram no reformado
E na mesada do puto
No pobre do ordenado
Que  nem dá para conduto

Tantos cortes afinal
Com proveito e aldrabice
Fundem, cemitério nacional
Que é p'ra se cortar o mal
Pela raiz da velhice.


55 comentários:

hesseherre disse...

Seria maravilhoso este cântico não fosse ele forrado de justa revolta da autora....Parabéns pela tua colaboração a este povo sofrido e injustiçado, Rosinha.

Mona Lisa disse...

Um grito de dor e indignação neste magnífico poema!

Os meus sinceros parabéns!

Beijos.

✿ chica disse...

Linda!Tuas poesias são sempre assim!Gosto! beijos,chica

Rui Pascoal disse...

Negro retrato o deste país, cada vez mais amordaçado...

Jorge disse...

Olá Rosa Branca,
Para já, uma saudação do Scorpio, que retomou [devagarinho] a actividade.
Estes famigerados cortes são de quem não vê o que está à sua volta mas sòmente o que "quer" ver?
É impossível com o que nos permitem saber e com as dúvidas que temos ver um pouco mais longe.
Estamos no "fim da picada".
Um abraço,

Duarte disse...

Estas são as fraquezas que nos apoquentas e das que dificilmente vamos poder sair.

A ilustração levou-me a escrever assim...

Candeeiro com luz diurna,

para passeantes enamorados.

Não se precatam dos lúmenes,

centrados no que faz falta...

já que a sua função é alumiar.

Ainda que seja com luar.


Abraços de amizade

Sandra Subtil disse...

Bem actual! Bela "sova" :))
Caminhamos para o abismo....
Beijinho

Andradarte disse...

É o que temos....e vai ser
por muito tempo...
Beijo

Everson Russo disse...

E que se faça desse apelo um grito vivido...beijos e um belo final de semana pra ti amiga...

manuela barroso disse...

Um recado com a raiva fantástica que a belíssima poesia lhe empresta.
Amei!!
Abraço Rosa-Branca

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um poema que diz muito da revolta
que nós portugueses estamos a
sentir.
Gostei muito da poesia.
Bom fim de semana.
Beijinhos
Irene Alves´

. intemporal . disse...

.

.

. é sempre tão incisiva a Sua poesia . e a rima um forte tributo para a degustação .

.

. gostei muito .

.

. um bom fim.de.semana .

.

. um beijo meu .

.

.

Everson Russo disse...

Um belo sábado pra ti minha amiga querida,,,,beijos e flores....

Everson Russo disse...

Um belo sábado pra ti minha amiga querida,,,,beijos e flores....

BlueShell disse...

Muito especial porquanto atual...
Bj

MARIA DA FONTE disse...

Não podemos permitir que estes larápios continuem a engordar à custa do povo.

«Não há ruas nem vielas
Que não viessem espreitar
Tantos senhores ás janelas
Do poder, a engordar»

FANTÁSTCO!
beijos

Nilson Barcelli disse...

Mais um magnífico poema, muito actual.
Diferente dos que costumas fazer, mas nem por isso menos bom.
Beijo, querida amiga.

Rita disse...

Boa noite

A foto deixa o poema mais lindo
pq tudo aqui é divino
Adorei
Abraços com carinho
Rita!!!!

Evanir disse...

Fico feliz em perceber que certas pessoas,
como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar.
Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o
melhor de todos os passageiros.
Agradeço a Deus por você fazer parte da minha viagem,
e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado,
com certeza,o vagão é o mesmo.
Com saudades desejo um feliz Domingo,
beijos na sua alma carinhosamente,Evanir.
A Viagem..

Amiga que lindo poema!!!!
Sorte a minha me deixa postar!!

Vento disse...

chamar-lhe-ia mais que poema: um grito lancinante, já que é de desespero a insegurança o nosso dia a dia destes tempos e não sei por quantos ainda mais...
é uma bela estalada este poema, não te esqueceste de nada, sendo que a última estrofe resume o crime maior de todo este drama.
deixa, um vento virá [que seja breve] que varrerá p'ra bem longe tudo aquilo que não presta.
nós por cá vamos tentando deitar fora o que fôr possivel.

e só p'ra desanuviar:

"Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa."

de Juan Ramón Jiménez

beijo carinhoso
até logo.

Tétis disse...

Querida amiga

Tens um desafio/miminho no Farol que gostaría que aceitasses.

Beijinhos

Everson Russo disse...

Um bom domingo e uma excelente semana pra ti minha amiga,,paz flores e poesias sempre....beijos e beijos.

Graciete Filipe disse...

Sabes meu amor, hoje tive de ir com o meu marido ao serviço de atendimento médico daqui da Amora, pois o pobre ainda anda com a algália e esta noite caio, e ele sem aquilo não consegue urinar.
foi uma noite de S. João quando chegamos a casa era 13h foi quando tomamos o p.almoço e agora acabei de almoçar.
Minha querida desculpa eu desabafar contigo estas coisas onde devia de estar a comentar o teu lindo poema, mas infelizmente esses bandidos um dia até o nosso esqueleto não escapa, nós sabemos que nada é nosso do nada viemos e para o nada vamos mas doí. Tanta labuta tanto trabalho para quê? Para andar sei lá quantas vidas para pagar o que nos tem roubado. enfim a nossa vida é um rosário que só em contas dá a volta ao Mundo, beijinhos de luz apenas que os sintas; porque ver já não consegues.

C@urosa disse...

Mas há sempre a intensidade de seus belos poemas, nos alegra a alma e nos traz reflexões sobre a alma, a vida, o mundo, muito bom!

forte abraço

C@urosa

manuela baptista disse...

estava aqui a pensar em qualquer coisa que ainda exista,

mas perante as suas quadras incisivas, aceito

não há mesmo


um abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema que é um grito muito atual
beijinho

LUZ disse...

Olá Rosa Branca,

Como está?
Poesia diferente da que costuma fazer, mas com interesse literário.
Não há sistemas perfeitos, mas há uns melhores que outros, é verdade.
Perfeito, e pra quem é crente, só mesmo Deus.

Boa semana.
Beijos da Luz.

Kim disse...

Rosa Branca
Não há, não há, não há!
Por todo o lado é este o lamento que se ouve, sem sabermos quando acabará.
Até lá ficará sempre o grito da revolta. Um beijinho meu e outro do Zezito que deixou lá para ti no - Às vezes

Evanir disse...

Agradeço a você por sua amizade tão especial,
e por me fazer sentir que sou alguém
com quem você se importa.
Agradeço a você por todas suas visitas,
embora muitas vezes não consigo fazer visitas
sua presença é marcante no meu blog.
Deus lhe de uma semana abençoada beijos paz e luz,Evanir.

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema que retrata a sociedade que vivemos....
Cumprimentos

Rita disse...

kkkk minha querida eu estava deixando esse doce em rascunho, para postar na sexta feira, e cliquei errado, e foi
no post...Tive que voltar e colocar em rascunho de novo....mas depois vc vai saborear ele tá bom, pq amanha tem Blogagem , passa para visitar de novo ...só eu mesmo com minha velhice doida rsrsrssr
Bjãoooooooooooo

Silenciosamente ouvindo... disse...

Mais uma vez aqui consigo e lendo
este poema extraordinário.Bj.
Irene Alves

Daniel Costa disse...

Rosa Branca

Que poema de intervenção mais acertado! Que pena os governantes não lerem mais os poetas!
Beijos

Lídia Borges disse...


Como António Aleixo, a sabedoria de quem pensa, de quem conhece a vida e as dores de um povo sempre maltratado.

Realço esta estrofe por me parecer de uma acutilância significativa:

«Não há pão p'ra toda a gente
Nem dinheiro p'ró ordenado
Mas há chão que deu semente
Sem sequer ser semeado»


Um beijo

JOTA ENE ✔ disse...

Mais uma bela poesia. Imagem excelente.

Manuel disse...

É difícil ficar indiferente.
Nunca um poema reflectiu de forma tão verdadeira e intensa a realidade do dia a dia.
Vamos fazer algo para mudar este rumo.
Obrigado.

saudade disse...

Passei para deixar um beijo. de Saudade...

saudade disse...

NÃO PUBLICAR - queria pedir o favor de me dar um mail para poder enviar um convite pois quero bloquear o meu blog para algumas pessoas... obrigado

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Quando as nossas
palavras,
colocamos
nossa indignação,
damos a ela
a alma da justiça.

Fique com tudo aquilo
que te acalme o coração.

Aluísio Cavalcante Jr.

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida Rosinha

O teu poema é o grito de todos nós e é dever dos poetas darem esse grito.
Lindo sempre ler-te.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Luís Coelho disse...

Quadras tristes de uma realidade que nos sufoca. O doente acaba por morrer do tratamento e não pela doença.

Estes são escorpiões que irão matar-se no próprio veneno.
A insensibilidade do governo e a sua incapacidade para resolver a situação tem agravado e piorado a vida dos portugueses.

Cigana Raicha disse...

Tô aqui de novo
enchendo sua paciência…
Calma não vou demorar!!!
Só estou passando para te
deixar um beijo com muito
carinho…
Bjooooooooooooooe com Deus!
Cigana Raicha

http://ciganaluminosa.blogspot.com.br/
http://www.facebook.com/elainedossantos.santos.52

Machado de Carlos disse...

... E a vida deve continuar. Enquanto houver sol, haverá uma planta a procura de Luz!

:.tossan® disse...

Um show de poesia se assim posso dizer! É um prazer visitar este espaço maravilhoso! Bela colheita. Beijo

PS: Vou usar o texto do último comentário que me fizestes. Posso?

saudade disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
O Profeta disse...

Este pensador, viajeiro entre Sois
Esta Ave pousada em mil embarcações
Esbarco que passa sem vela ou remo
Esta arca repleta de vibrantes emoções

Esta mestiça flor de açafrão
Este ramo de espinhos cravados na mão
Esta alma que não ousa largar opinião
Este homem vestido de solidão

Doce beijo

Angela disse...

Simplesmente linda a interpretação de um quadro triste.
Beijo

Guma Kimbanda disse...

"Há sim..." Algo de muito valor amiga Rosa!
O que sobra é a maior riqueza de um povo. A sua cultura, história e fé. Que nela se baseiem os justos e não descreiam na sua força e moral pela luta da merecida justiça social.
Este povo demonstrou muitas vezes o seu potencial, "eles não sabem...", ja se esqueceram.

Excelente teu poema manifesto, onde nos vemos espelhados. Bom que assim seja, para que saibamos que imperativo reagir.

Beijo e kandandos... Inté

Nilson Barcelli disse...

Vim à procura de mais... mas reli e continuei encantado com as tuas palavras.
Rosa, querida amiga, tem uma boa semana.
Beijo.

A.S. disse...

O meu beijo....

AL

ONG ALERTA disse...

Encanta tuas poesias, beijo Lisette.

:.tossan® disse...

Caminhar pelo seu blog, assim com a calma de uma taça de tinto tem sido um verdadeiro prazer. Você tem poemas efervecentes como este. Sorte minha! Beijo

carlos pereira disse...

Olá poetisa do amor!
Um poema com um registo diferente, mas muito bom.
Gostei imenso.
Beijo frtaerno.

MARIA DA FONTE disse...

Há uma raiva e uma revolta transmitidas num poema tão doce. Lindo. beijinhos

MARIA DA FONTE disse...

Voltei a ler este excelente poema. Magnífico! Uma crítica muito contundente