terça-feira, 29 de abril de 2014

LÁ LONGE...





























Lá longe, onde o sol tem mais luz
a minha alma vagueia, perdida da minha cruz.

Lá longe, onde a brisa beija o mar
voa a minha ternura prontinha p'ra te abraçar.

Lá longe, no horizonte a florir
estendi o meu olhar e beijei o teu sentir.

Lá longe, onde começa o fim
Vou deixar este meu eu, para não voltar p'ra mim. 

Lá longe, onde o céu está a arder
Vou semear este amor para tu poderes colher.

Lá longe, onde a distância termina
Tão perto o teu amor, tão longe a minha sina.



quarta-feira, 9 de abril de 2014

NÃO PENSEI














Não pensei que eu um dia
Iria andar na vida
Coberta de nostalgia
E sem ter sonhos, perdida

Não pensei que a saudade
Em mim viesse ancorar
E que as dores da mocidade
Fizessem de mim seu mar

Não pensei ser sepultura
De tanta mágoa e dor
Pois eu só queria ternura
Carinho e muito amor

Ser estrada sem caminho
Eu juro que nunca pensei
Queria ser rosa sem espinho
E até nisso eu errei

Não pensei dar de comer
À fúria que existe em mim
E que ainda ia colher
Tanta dor no meu jardim

Não pensei que eras ladrão
E que me fosses roubar
A alma e o coração
P'ra loucamente te amar.


domingo, 23 de março de 2014

VERDE MANTO






































Verde manto fui vestir
Para ver se aquela cor
Combina com o meu sentir
Combina com o teu ardor

Pintei os olhos, carmim
Os lábios de rubra cor
E percorri teu jardim
Na promessa d'uma flor

E as borboletas que vi
Não eram da cor do manto
E juro que até senti
A alma ficar em pranto

Mas o verde é esperança
E passei a olhar então
Com olhos que em criança
Vestia a doce ilusão

De manto verde vestido
À praia te vou esperar
Quero-te louco, querido
E que te sintas perdido
Nas ondas deste meu mar

  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

PRIMAVERA
























Procurei a Primavera
Todos os dias do mês
Porque estou à tua espera
P'ra te abraçar outra vez

Procurei no meu jardim
Numa  flor a despontar
Mas sei que é dentro de mim
Que tenho que procurar

No sol, na lua, no mar
Também andei à procura
Só vi a brisa a passar
E nem sinal de ternura

Fui procurar num poema
Adornado a malmequeres
Foi maior o meu dilema
Pois sei qu'ainda me queres

Fechei meus olhos e vi
O tempo inteiro a correr
Só me falava de ti
Do teu sentir do teu ser

E agora que vai chegar
A Primavera a valer
Sei que a vou encontrar
Num jardim qualquer lugar
Mas é a ti que quero ver.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

BEBI

Bebi o chá d'amargura
Da dor da desilusão
E sofri de indigestão
Com o da falsa ternura

Bebi da água do mar
Com rosas do meu jardim
Num agridoce sem par
Com espinhos sem ter fim

Bebi castelos dourados 
Estrelas do firmamento
E adormeci ao relento
Em sonhos desgovernados

Bebi sonhos, ilusões
Para conseguir sonhar
Mas andei aos trambolhões
E neles não pude entrar

Bebi o sal dos meus olhos
Por tanto eu te querer
E a agonia aos molhos
Por a ti mãe não te ver

Bebi a tua doçura
Mas agora já não sei
Se acaso me envenenei
De amor e de ternura.