segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

PRIMAVERA
























Procurei a Primavera
Todos os dias do mês
Porque estou à tua espera
P'ra te abraçar outra vez

Procurei no meu jardim
Numa  flor a despontar
Mas sei que é dentro de mim
Que tenho que procurar

No sol, na lua, no mar
Também andei à procura
Só vi a brisa a passar
E nem sinal de ternura

Fui procurar num poema
Adornado a malmequeres
Foi maior o meu dilema
Pois sei qu'ainda me queres

Fechei meus olhos e vi
O tempo inteiro a correr
Só me falava de ti
Do teu sentir do teu ser

E agora que vai chegar
A Primavera a valer
Sei que a vou encontrar
Num jardim qualquer lugar
Mas é a ti que quero ver.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

BEBI

Bebi o chá d'amargura
Da dor da desilusão
E sofri de indigestão
Com o da falsa ternura

Bebi da água do mar
Com rosas do meu jardim
Num agridoce sem par
Com espinhos sem ter fim

Bebi castelos dourados 
Estrelas do firmamento
E adormeci ao relento
Em sonhos desgovernados

Bebi sonhos, ilusões
Para conseguir sonhar
Mas andei aos trambolhões
E neles não pude entrar

Bebi o sal dos meus olhos
Por tanto eu te querer
E a agonia aos molhos
Por a ti mãe não te ver

Bebi a tua doçura
Mas agora já não sei
Se acaso me envenenei
De amor e de ternura.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

FOI-SE O SOL...


























Foi-se o sol deitar mais cedo
Para eu poder brilhar
E amar-te em segredo
Nesta noite de luar

Foi-se toda a amargura
P'ra longe o vento a levou
Para soltar a ternura
Que fechada a vida passou

Foi levada a nostalgia
P'las estrelas a brilhar
Deixaram-me a ousadia
Com laço para te ofertar

Ao de leve veio a brisa
Pés de lã devagarinho
P'ra me deixar sem camisa
Deslizar no meu corpinho

Rebelde então veio o mar
Para o meu corpo cobrir
D'espuma do seu ondular
E salgar o meu sentir

Foi-se o sol e foi a lua
Já nos podemos amar
Tu és meu e eu sou tua
Como a noite é do luar.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PAIRA NO AR...













Paira no ar a crescer
O cheiro de que é Natal
E muitos para comer
Só têm o cheiro igual

Paira no ar a dor
Desalento e amargura
E se já não há amor
Também falta a ternura

Pairam os sonhos vendados
Da juventude a cair
De um país desgovernado
Que os obriga a partir

Paira até o reformado
 No fim da vida só herda
Uma reforma de merda
E ainda é descontado

Paira a fome e a crescer
A revolta e a fadiga
Que não enchem a barriga
Mas temos de as comer

Pairam justiça, verdade,
Para quem tanto roubou
Pavoneiam-se à vontade
E tiram-nos sem caridade 
O pouco que nos sobrou.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DESTE-ME






















Deste-me sonhos eu sei
Que nunca ousei sonhar
E agora que eu sonhei
Queres os sonhos roubar

Deste-me alma e vida
Delírios para beber
Agora me sinto perdida
Sem razão para viver

Deste-me um beijo enleado
Nas mágoas deste meu ser
Que abraça amargurado
O jardim do meu viver

Deste-me um vazio p'ra eu
Não poder sequer sonhar
Não sentir um beijo teu 
E não te poder amar

Deste-me o silêncio em grito
Mas só eu o pôde ouvir
E por vezes acredito
Que é p'ra calares o aflito
Do louco do teu sentir.