domingo, 15 de setembro de 2013

ESPERO-TE



Espero-te linda aurora
Na praia da formosura
Navegando borda fora
Num veleiro de ternura

Espero-te no meu convés
Vestida de branco linho
P'ra navegar lés a lés
Nas ondas do teu corpinho

Espero-te na praia nua
Enleada na areia
Vestida da luz da lua
P'ra ser a tua sereia

Espero-te na nostalgia
Que me espreita sem jeito
Deixando a agonia
A bailar dentro do peito

E até nas asas do vento
Eu te espero meu amor
Acaba-me com o tormento
Desta espera por favor

Espero-te na enseada
Dos sonhos e dos desejos
Pois a saudade, a danada
Só quer ser alimentada
Pelo sabor dos teus beijos.

sábado, 17 de agosto de 2013

LEILÃO







































Fiz um leilão do sentir
Para ver quem dava mais
E acabei por descobrir
Que nada valem os ais

Leiloei a amargura
E toda a minha dor
Mas só queriam ternura 
E recebiam amor

Então eu fui leiloar
A saudade que há em mim
Mas ninguém a quis comprar
Pois não lhe viam o fim

Perdida nesse leilão
Então eu tentei vender
A alma e o coração
Que só me fazem sofrer

Fui leiloar os teus beijos
Mas alguém queria agarrar
As loucuras e os desejos
Que tu tens para me dar

Teu sentir fui leiloar
Pois queria saber também
Quem te iria comprar
Mas no fim fui rematar
Tu és meu de mais ninguém.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

VESTI
















Vesti minh'alma sombria
Com teus poemas d'amor
E despi esta agonia
Que me cansava de dor

Vesti a luz do luar
Porque à noite eu queria
Ser estrela a brilhar
À luz da tua ousadia

Vesti as horas vadias
Com pétalas do teu ardor
E acabei passando os dias
A sonhar contigo amor

Vesti a luz dos meus olhos
Com ânsias do teu sonhar
Guardei carícias aos molhos
Banhadas com o teu mar

Vesti-me com os teus beijos
Que a tua boca me deu
Meu corpo com teus desejos
E o meu coração com o teu

E agora tão bem vestida
Não vou mais a roupa tirar
Que o teu sentir é guarida 
De mim em qualquer lugar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

DÁ-ME UM POEMA



































Dá-me um poema singelo
Que tenha a simplicidade
Do malmequer amarelo
E do sentir a saudade

Dá-me um poema bordado
Onde a minha nostalgia
Esteja em espaço fechado
P'ra sair a ousadia

Um poema p'ra beber
Em gotas de desalinho
A deslizar com prazer
Nas ondas do meu corpinho

Dá-me um poema rasgado
Para eu acabar então
O puzzle que tenho guardado
Dentro do meu coração

Dá-me um que seja rosa
Para eu te desfolhar
O doce da tua prosa
Nas pétalas do teu olhar

Dá-me um poema qualquer
Mas dá-me depressa a correr
Onde eu me sinta mulher
E tu poeta a valer

Dá-me um poema sentido
Nas ondas desse teu mar
Onde te sintas perdido
E eu me possa encontrar.


sábado, 1 de junho de 2013

AUSENTE



















Estou ausente de tudo
Que me possa magoar
Tenho o meu grito já mudo
E o meu silencio a gritar

Estou ausente da vida
Tão cheia de amargura
Que me faz sentir perdida
Falta-me a tua ternura

Ausente dos sonhos meus
É assim que vou andar
Do brilho dos olhos teus
Que tanto me faz penar

Estou ausente do mundo
Para não ter que escutar
O meu sentir mais profundo
Sempre por ti a chamar

Ausente estou de ti 
Porque assim quiseste amor
Meu coração já não ri
E minh'alma sente dor

Estou ausente de mim
Para não ter que assistir
Ao caos deste meu jardim
E à morte do meu sentir.