sábado, 17 de agosto de 2013

LEILÃO







































Fiz um leilão do sentir
Para ver quem dava mais
E acabei por descobrir
Que nada valem os ais

Leiloei a amargura
E toda a minha dor
Mas só queriam ternura 
E recebiam amor

Então eu fui leiloar
A saudade que há em mim
Mas ninguém a quis comprar
Pois não lhe viam o fim

Perdida nesse leilão
Então eu tentei vender
A alma e o coração
Que só me fazem sofrer

Fui leiloar os teus beijos
Mas alguém queria agarrar
As loucuras e os desejos
Que tu tens para me dar

Teu sentir fui leiloar
Pois queria saber também
Quem te iria comprar
Mas no fim fui rematar
Tu és meu de mais ninguém.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

VESTI
















Vesti minh'alma sombria
Com teus poemas d'amor
E despi esta agonia
Que me cansava de dor

Vesti a luz do luar
Porque à noite eu queria
Ser estrela a brilhar
À luz da tua ousadia

Vesti as horas vadias
Com pétalas do teu ardor
E acabei passando os dias
A sonhar contigo amor

Vesti a luz dos meus olhos
Com ânsias do teu sonhar
Guardei carícias aos molhos
Banhadas com o teu mar

Vesti-me com os teus beijos
Que a tua boca me deu
Meu corpo com teus desejos
E o meu coração com o teu

E agora tão bem vestida
Não vou mais a roupa tirar
Que o teu sentir é guarida 
De mim em qualquer lugar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

DÁ-ME UM POEMA



































Dá-me um poema singelo
Que tenha a simplicidade
Do malmequer amarelo
E do sentir a saudade

Dá-me um poema bordado
Onde a minha nostalgia
Esteja em espaço fechado
P'ra sair a ousadia

Um poema p'ra beber
Em gotas de desalinho
A deslizar com prazer
Nas ondas do meu corpinho

Dá-me um poema rasgado
Para eu acabar então
O puzzle que tenho guardado
Dentro do meu coração

Dá-me um que seja rosa
Para eu te desfolhar
O doce da tua prosa
Nas pétalas do teu olhar

Dá-me um poema qualquer
Mas dá-me depressa a correr
Onde eu me sinta mulher
E tu poeta a valer

Dá-me um poema sentido
Nas ondas desse teu mar
Onde te sintas perdido
E eu me possa encontrar.


sábado, 1 de junho de 2013

AUSENTE



















Estou ausente de tudo
Que me possa magoar
Tenho o meu grito já mudo
E o meu silencio a gritar

Estou ausente da vida
Tão cheia de amargura
Que me faz sentir perdida
Falta-me a tua ternura

Ausente dos sonhos meus
É assim que vou andar
Do brilho dos olhos teus
Que tanto me faz penar

Estou ausente do mundo
Para não ter que escutar
O meu sentir mais profundo
Sempre por ti a chamar

Ausente estou de ti 
Porque assim quiseste amor
Meu coração já não ri
E minh'alma sente dor

Estou ausente de mim
Para não ter que assistir
Ao caos deste meu jardim
E à morte do meu sentir.

terça-feira, 2 de abril de 2013

JÁ NÃO SOU EU


























Já não sou eu a criança
Que um dia andou à procura
De um fio de esperança
E de um pingo de ternura

Já não sou eu que tão nua
De afectos e de alegria
Com medo da luz da lua
Da sombra que me seguia

Já não sou eu a chorar
Triste na noite escondida
Com saudades de abraçar
A avó da minha vida

Já não sou a adolescente
Que o amor de mãe procura
Que um dia ficou diferente
De saudade e de amargura

Já não sou eu já é ela
A vida  me encurralou 
Que me pregou a janela 
E a porta me fechou

Talvez seja eu agora
Que já não consigo ver
A luz que tem a aurora
E que me obriga a viver.