quarta-feira, 17 de julho de 2013

VESTI
















Vesti minh'alma sombria
Com teus poemas d'amor
E despi esta agonia
Que me cansava de dor

Vesti a luz do luar
Porque à noite eu queria
Ser estrela a brilhar
À luz da tua ousadia

Vesti as horas vadias
Com pétalas do teu ardor
E acabei passando os dias
A sonhar contigo amor

Vesti a luz dos meus olhos
Com ânsias do teu sonhar
Guardei carícias aos molhos
Banhadas com o teu mar

Vesti-me com os teus beijos
Que a tua boca me deu
Meu corpo com teus desejos
E o meu coração com o teu

E agora tão bem vestida
Não vou mais a roupa tirar
Que o teu sentir é guarida 
De mim em qualquer lugar.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

DÁ-ME UM POEMA



































Dá-me um poema singelo
Que tenha a simplicidade
Do malmequer amarelo
E do sentir a saudade

Dá-me um poema bordado
Onde a minha nostalgia
Esteja em espaço fechado
P'ra sair a ousadia

Um poema p'ra beber
Em gotas de desalinho
A deslizar com prazer
Nas ondas do meu corpinho

Dá-me um poema rasgado
Para eu acabar então
O puzzle que tenho guardado
Dentro do meu coração

Dá-me um que seja rosa
Para eu te desfolhar
O doce da tua prosa
Nas pétalas do teu olhar

Dá-me um poema qualquer
Mas dá-me depressa a correr
Onde eu me sinta mulher
E tu poeta a valer

Dá-me um poema sentido
Nas ondas desse teu mar
Onde te sintas perdido
E eu me possa encontrar.


sábado, 1 de junho de 2013

AUSENTE



















Estou ausente de tudo
Que me possa magoar
Tenho o meu grito já mudo
E o meu silencio a gritar

Estou ausente da vida
Tão cheia de amargura
Que me faz sentir perdida
Falta-me a tua ternura

Ausente dos sonhos meus
É assim que vou andar
Do brilho dos olhos teus
Que tanto me faz penar

Estou ausente do mundo
Para não ter que escutar
O meu sentir mais profundo
Sempre por ti a chamar

Ausente estou de ti 
Porque assim quiseste amor
Meu coração já não ri
E minh'alma sente dor

Estou ausente de mim
Para não ter que assistir
Ao caos deste meu jardim
E à morte do meu sentir.

terça-feira, 2 de abril de 2013

JÁ NÃO SOU EU


























Já não sou eu a criança
Que um dia andou à procura
De um fio de esperança
E de um pingo de ternura

Já não sou eu que tão nua
De afectos e de alegria
Com medo da luz da lua
Da sombra que me seguia

Já não sou eu a chorar
Triste na noite escondida
Com saudades de abraçar
A avó da minha vida

Já não sou a adolescente
Que o amor de mãe procura
Que um dia ficou diferente
De saudade e de amargura

Já não sou eu já é ela
A vida  me encurralou 
Que me pregou a janela 
E a porta me fechou

Talvez seja eu agora
Que já não consigo ver
A luz que tem a aurora
E que me obriga a viver.


terça-feira, 19 de março de 2013

FECHADA


Fechada dentro de mim
E p'la vida enclausurada
Deixei morrer meu jardim
E de flor já não sou nada

Fechada da luz do dia
Já nem a olho de frente
E vivo nesta agonia
No futuro e no presente

Fechada está a amargura
Que não consegue sair
E ás vezes noite escura
Bate à porta do sentir

Fechados os sonhos meus
Nunca a porta lhes abri
P'ra não saberem dos teus
E, nem me falarem de ti

Fechados os meus desejos
À saída lhes pus fim
Pois ao sentirem teus beijos
Quiseram fugir de mim

Fechada morro lentamente
Entre estas paredes sem cor
Sem viver o meu presente
E sem ter o teu amor

E nesta porta fechada
Em que a vida me fechou
Dela já não tenho nada
E de mim já nada sou.