sábado, 1 de junho de 2013

AUSENTE



















Estou ausente de tudo
Que me possa magoar
Tenho o meu grito já mudo
E o meu silencio a gritar

Estou ausente da vida
Tão cheia de amargura
Que me faz sentir perdida
Falta-me a tua ternura

Ausente dos sonhos meus
É assim que vou andar
Do brilho dos olhos teus
Que tanto me faz penar

Estou ausente do mundo
Para não ter que escutar
O meu sentir mais profundo
Sempre por ti a chamar

Ausente estou de ti 
Porque assim quiseste amor
Meu coração já não ri
E minh'alma sente dor

Estou ausente de mim
Para não ter que assistir
Ao caos deste meu jardim
E à morte do meu sentir.

terça-feira, 2 de abril de 2013

JÁ NÃO SOU EU


























Já não sou eu a criança
Que um dia andou à procura
De um fio de esperança
E de um pingo de ternura

Já não sou eu que tão nua
De afectos e de alegria
Com medo da luz da lua
Da sombra que me seguia

Já não sou eu a chorar
Triste na noite escondida
Com saudades de abraçar
A avó da minha vida

Já não sou a adolescente
Que o amor de mãe procura
Que um dia ficou diferente
De saudade e de amargura

Já não sou eu já é ela
A vida  me encurralou 
Que me pregou a janela 
E a porta me fechou

Talvez seja eu agora
Que já não consigo ver
A luz que tem a aurora
E que me obriga a viver.


terça-feira, 19 de março de 2013

FECHADA


Fechada dentro de mim
E p'la vida enclausurada
Deixei morrer meu jardim
E de flor já não sou nada

Fechada da luz do dia
Já nem a olho de frente
E vivo nesta agonia
No futuro e no presente

Fechada está a amargura
Que não consegue sair
E ás vezes noite escura
Bate à porta do sentir

Fechados os sonhos meus
Nunca a porta lhes abri
P'ra não saberem dos teus
E, nem me falarem de ti

Fechados os meus desejos
À saída lhes pus fim
Pois ao sentirem teus beijos
Quiseram fugir de mim

Fechada morro lentamente
Entre estas paredes sem cor
Sem viver o meu presente
E sem ter o teu amor

E nesta porta fechada
Em que a vida me fechou
Dela já não tenho nada
E de mim já nada sou.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ESTA NOITE
























 Esta noite sou luar
E até estrela cadente
Que se aninha a brilhar
No teu peito docemente

Esta noite sou a flor
Que se recusou a abrir
E só floriu ao calor
Do jardim do teu sentir

Esta noite sou poema
Bordado a fio de dor
Que não quer o seu dilema
E só quer o teu amor

Talvez esta noite eu seja
O que nunca fui outrora
No teu sentir que me beija
Na luz dessa tua aurora

Esta noite vou voar
Em asas de liberdade
Para os desejos matar
Para matar a saudade

Esta noite a amargura
Vou afogar em ardor
Em bandeja de doçura
No mar da minha loucura
Só para ti meu amor.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

FIZ


































Fiz das tripas, coração
Como a Luz me sugeriu
Para elevar a emoção
Na proa do meu navio

Fiz do meu sentir diferente
Daquilo que hoje eu sou
P'ra ver se ainda sou gente
Ou se acaso já não estou

Fiz da minha nostalgia
Um vestido p'rá ternura
Mas esqueci qu' amargura
De mim também se vestia

Fiz sonhos que tão dourados
Brilhavam no firmamento
Mas esqueci-me do vento
Por ele eram fustigados

Fiz do Sol o meu encanto
Do mar a minha paixão
E da saudade um manto
De dor e desilusão

Fiz do acaso dum dia
Quando os teus olhos vi
Um vestido de ousadia
Que mal acaba o dia
Eu visto só para ti.