quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ESTA NOITE
























 Esta noite sou luar
E até estrela cadente
Que se aninha a brilhar
No teu peito docemente

Esta noite sou a flor
Que se recusou a abrir
E só floriu ao calor
Do jardim do teu sentir

Esta noite sou poema
Bordado a fio de dor
Que não quer o seu dilema
E só quer o teu amor

Talvez esta noite eu seja
O que nunca fui outrora
No teu sentir que me beija
Na luz dessa tua aurora

Esta noite vou voar
Em asas de liberdade
Para os desejos matar
Para matar a saudade

Esta noite a amargura
Vou afogar em ardor
Em bandeja de doçura
No mar da minha loucura
Só para ti meu amor.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

FIZ


































Fiz das tripas, coração
Como a Luz me sugeriu
Para elevar a emoção
Na proa do meu navio

Fiz do meu sentir diferente
Daquilo que hoje eu sou
P'ra ver se ainda sou gente
Ou se acaso já não estou

Fiz da minha nostalgia
Um vestido p'rá ternura
Mas esqueci qu' amargura
De mim também se vestia

Fiz sonhos que tão dourados
Brilhavam no firmamento
Mas esqueci-me do vento
Por ele eram fustigados

Fiz do Sol o meu encanto
Do mar a minha paixão
E da saudade um manto
De dor e desilusão

Fiz do acaso dum dia
Quando os teus olhos vi
Um vestido de ousadia
Que mal acaba o dia
Eu visto só para ti.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ABRAÇA-ME

Abraça-me a noite escura
Para de mim esconder
A dor e a amargura
Que só me fazem sofrer

Abraça-me a nostalgia
Até alta madrugada
E abraça-me a ironia
Da vida tão descarada

Abraça-me a amargura
Que de tanto me apertar
Tem uma volta tão dura
Que me faz faltar o ar

Abraça-me a solidão
Dia a dia hora a hora
Deixando o meu coração
A navegar na aurora

Abraça-me o mar sereno
Para me vir segredar
Que este mundo é pequeno
E tão grande a ensinar

Abraça-me com ardor
Porque eu quero descobrir
Se o teu abraço amor
Enleia este meu sentir.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DOU-TE...


































Dou-te as estrelas cadentes
Para me poderes mandar
Os teus beijos em presentes
Em embrulhos estrelares

A saudade grandiosa
Te dou com toda a certeza
Embutida numa rosa
Tão branca como a pureza

Dou-te a lua brilhante
Perdida no meu abraço
E o sol que num instante
Aquece o meu regaço

Dou-te também a ternura
Que tenho dentro de mim
Onde plantei com doçura
No chão deste meu jardim

Dou-te este corpo cansado
Deste sofrer que perdura
E o meu ser destronado
P'la dor e p'la amargura

Vou dar-te o meu sentir
Enleado nos meus beijos
Porque sei que a seguir
Ficam loucos teus desejos

Só não te dou minha cruz
Porque não te quero dar
A minha sina onde a luz
Se recusou a entrar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

TALVEZ SEJA...



Talvez seja a madrugada
Que não me deixa dormir
Que percorre minha estrada
E entra desalvorada
No beco do meu sentir

Talvez seja  a criança
Que ás vezes quer saltar
Volta atrás na lembrança
E continua sem esperança
E com medo de amar

Talvez seja a amargura
Que se entranhou no meu ser
Que me abafa a ternura
Se enleia na desventura
E não me deixa viver

Talvez seja a oração
Que eu não rezo a Jesus
Porque o meu coração
Vive na escuridão
E agarrado a uma cruz

Talvez seja o teu ardor
Tua doçura sem fim
Querias matar minha dor
Mas não viste meu amor
Que o meu sentir morre em mim.