quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

ABRAÇA-ME

Abraça-me a noite escura
Para de mim esconder
A dor e a amargura
Que só me fazem sofrer

Abraça-me a nostalgia
Até alta madrugada
E abraça-me a ironia
Da vida tão descarada

Abraça-me a amargura
Que de tanto me apertar
Tem uma volta tão dura
Que me faz faltar o ar

Abraça-me a solidão
Dia a dia hora a hora
Deixando o meu coração
A navegar na aurora

Abraça-me o mar sereno
Para me vir segredar
Que este mundo é pequeno
E tão grande a ensinar

Abraça-me com ardor
Porque eu quero descobrir
Se o teu abraço amor
Enleia este meu sentir.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DOU-TE...


































Dou-te as estrelas cadentes
Para me poderes mandar
Os teus beijos em presentes
Em embrulhos estrelares

A saudade grandiosa
Te dou com toda a certeza
Embutida numa rosa
Tão branca como a pureza

Dou-te a lua brilhante
Perdida no meu abraço
E o sol que num instante
Aquece o meu regaço

Dou-te também a ternura
Que tenho dentro de mim
Onde plantei com doçura
No chão deste meu jardim

Dou-te este corpo cansado
Deste sofrer que perdura
E o meu ser destronado
P'la dor e p'la amargura

Vou dar-te o meu sentir
Enleado nos meus beijos
Porque sei que a seguir
Ficam loucos teus desejos

Só não te dou minha cruz
Porque não te quero dar
A minha sina onde a luz
Se recusou a entrar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

TALVEZ SEJA...



Talvez seja a madrugada
Que não me deixa dormir
Que percorre minha estrada
E entra desalvorada
No beco do meu sentir

Talvez seja  a criança
Que ás vezes quer saltar
Volta atrás na lembrança
E continua sem esperança
E com medo de amar

Talvez seja a amargura
Que se entranhou no meu ser
Que me abafa a ternura
Se enleia na desventura
E não me deixa viver

Talvez seja a oração
Que eu não rezo a Jesus
Porque o meu coração
Vive na escuridão
E agarrado a uma cruz

Talvez seja o teu ardor
Tua doçura sem fim
Querias matar minha dor
Mas não viste meu amor
Que o meu sentir morre em mim.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O TEU CALOR





























Ao sentir o teu calor
Eu só te queria morder
Fiquei vermelha na cor
Quando comecei a aquecer

Quanto mais eu te mordia
Mais eu ficava em brasa
E o que eu mais queria
Era levar-te p'ra casa

Deixaste-me de tal maneira
Que até me faltou o ar
Mas caí naquela asneira
De te morder a brincar

Se não fosse a multidão
E tanta gente a olhar
Era ali mesmo no chão
Que nos íamos rebolar

Com o meu corpo a arder
Eu só queria ver o mar
E banhar-me com prazer
Para este fogo apagar

Causaste-me tanto embaraço
Se ao pé de mim tu passas
Eu não sei o que te faço
Malagueta do caraças

Malagueta- espécie de pimenta muito ardente.

domingo, 11 de novembro de 2012

ACORDA-ME PARA A VIDA




Perdi a rima na tua procura
e, nas asas de um sonho lindo, vi-te delirante
na prosa de mim.

Desci o vale encantado do teu corpo
e nele semeei a minha ternura.
Plantei lírios de desejos
nos teus olhos, em ondas feitas loucura
e reguei-as com a seiva
da minha ousadia.

Rebentei o sonho
e extravasei as marés de mim.
Cortei as amarras do meu querer
e, para ti, incendiei o vale dos meus desejos.

Abri os meus braços
ao vazio deste meu sentir
e neles te recebi em extase e emoção.
Se acaso é verdade, adormece-me a alma.

Mas se é sonho, então amor, acorda-me para a vida.